Psicóloga alerta sobre os perigos de desenhos hiperestimulantes

13/08/2025
Daniele Andrade Crestani

Daniele Andrade Crestani

Desenhos hiperestimulantes são conteúdos infantis que usam ritmo muito acelerado, cortes e trocas de cena frequentes, cores saturadas e sons ou efeitos repetitivos, deixando pouca – ou nenhuma – pausa para a criança processar o que vê.

Segundo a psicóloga, Daniele Andrade Crestani, 42 anos, o mais indicado é que a criança não tenha acesso à internet, evitando ao máximo o contato com as telas. “Quando liberado, a família deve acompanhar. Uma ferramenta que ajuda são os aplicativos de controle parental, e isso recomendado após os seis anos de idade, de forma gradual e com instruções claras para a criança”, explica ela.

Daniele lembra que a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) definem tempo e idade adequados para o uso e contato com as telas. “A OMS e a SBP indicam nenhuma exposição a telas até os 2 anos. Dos 2 aos 5 anos, no máximo 1h por dia, com acompanhamento e conteúdos educativos. Em torno dos 6 até os 10 anos, 2h por dia, mas com o controle equilibrado, sem a recomendação do uso contínuo”, explica.

De acordo com a psicóloga, o contato com desenhos hiperestimulantes provoca uma sobrecarga sensorial no cérebro em desenvolvimento, impactando no comportamento e no emocional da criança. “Com frequência são observados na criança uma maior impaciência e irritabilidade, déficit de atenção e dificuldade de concentração, agitação psicomotora, dificuldade para dormir, entre outros aspectos”, ressalta.

Daniele destaca problemas que podem evoluir se não tratados os comportamentos citados. “Se não observados e tratados, podem afetar a autorregulação emocional, trazendo dificuldade nas interações sociais saudáveis. Pode também dificultar a aprendizagem devido à atenção fragmentada, havendo riscos de aumento de transtornos como TDAH ou intensificação dos sintomas para quadros já existentes”, alerta ela.

 

Como enfrentar a questão

Os tratamentos recomendados pela psicóloga são os seguintes: redução ou eliminação do consumo de conteúdos hiperestimulantes; incentivar brincadeiras mais criativas, sensoriais e manuais; aumentar (se possível) o contato com a natureza e interação com outras crianças; procurar auxílio profissional qualificado para casos de comportamentos intensificados.

A falta de tempo para raciocinar impede o acompanhamento do ritmo cerebral da criança, dependendo da faixa de desenvolvimento de cada uma. “Desenhos com histórias mais lentas e simples, respeitam o tempo da criança, diferente de desenhos complexos. Quando respeitado o tempo, a criança pode desenvolver o pensamento crítico e aumentar o repertório de linguagem”, explica Daniele.

A psicóloga recomenda desenhos que respeitem o ritmo e a linguagem da sua faixa etária, além dos valores abordados. “Devem ser evitados aqueles desenhos que tenham linguagem agressiva ou desrespeitosa, os mencionados hiperestimulantes, estimulantes de consumo e violentos”, finaliza ela.


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