Hospitais e municípios da Região 7 se unem em força-tarefa para enfrentar crise na alta complexidade da saúde

13/10/2025
Fonte: Assessoria de imprensa / Foto: Silvia Trovo

Fonte: Assessoria de imprensa / Foto: Silvia Trovo

Enquanto aguarda o retorno do Governo do Estado sobre a situação dos atendimentos de alta complexidade, a Associação dos Municípios do Vale Germânico (Amvag) decidiu não esperar mais e assumir o protagonismo na luta por soluções regionais.

Na quinta-feira (9), a entidade promoveu na Universidade Feevale, em Novo Hamburgo, a primeira de uma série de reuniões que devem acontecer daqui em diante para discutir medidas conjuntas e fortalecer a região na busca de soluções frente aos desafios enfrentados pelos hospitais e prefeituras da Região 7 de Saúde no que diz respeito aos atendimentos de alta complexidade, de responsabilidade do Governo do Estado.

O encontro marcou um gesto de união e cooperação regional sem precedentes, reunindo prefeitos, secretários de saúde e gestores hospitalares de praticamente todos os municípios da R7. Devido a compromissos em Brasília, o presidente da Amvag, Gaspar Behne, prefeito de Lindolfo Collor, não pode presidir o encontro, que foi presidido pelos prefeitos Jerri Meneghetti (Dois Irmãos) e Valdir Ludwig (Ivoti), e que teve como foco o fortalecimento do diálogo e da articulação local diante do impasse com o Estado quanto à oferta dos serviços.

– Os hospitais referenciados e que recebem recursos do Estado para prestar serviços para nossa região, por uma série de motivos não estão dando conta de atender a demanda. Precisamos de soluções. Quem sabe o caminho seja investir nos hospitais daqui da região para que eles assumam o atendimento dentro de suas potencialidades. É o que pretendemos buscar – pondera o presidente Gaspar, que chegou a conversar com a secretária Arita Bergmann sobre esse tema por ocasião da visita dela à região em agosto.

Canoas, Porto Alegre, Parobé, Taquara e Igrejinha são algumas das cidades que atendem pacientes da região em especialidades como traumatologia, neurologia, oncologia, otorrino e oftalmologia. 

 

REGIÃO UNIDA

Com exceção do Hospital Centenário, de São Leopoldo, todos os demais hospitais da Região 7 estiveram representados no encontro: Fundação de Saúde de Novo Hamburgo, Hospital Lauro Reus (Campo Bom), Hospital São José (Dois Irmãos), Hospital São José (Ivoti), Hospital de Sapiranga, Hospital de Estância Velha e Hospital de Portão.

Também participaram os secretários municipais de Saúde, com exceção de Morro Reuter, Nova Hartz e São Leopoldo. A presença do Hospital de Portão, mesmo fora da Amvag, reforçou o espírito coletivo, já que o município não integra a Amvag, mas integra oficialmente a Região 7 de Saúde e passará a participar das próximas reuniões.

 

RELATOS

Na mesa de discussões pela saúde, cada hospital relatou parte de seu drama e todos concordaram que a falta de atendimento nas referências de algumas especialidades em Canoas e Porto Alegre, por exemplo, acaba superlotando os leitos da região. Também ponderaram sobre o financiamento do SUS, que não suporta o custo da estrutura dos hospitais uma vez que a tabela de valores está defasada.

– Para não penalizar a comunidade, as prefeituras acabam pagando pelos serviços e comprometendo cada vez mais o orçamento. Temos prefeituras da região que estão investindo em saúde mais do que o dobro do exigido por lei. Os municípios não têm mais condições de pagar essa conta e quem sofre é a comunidade com essa fila de espera – alertou o prefeito Jerri.

– O que vimos hoje foi uma demonstração de maturidade e união. Precisamos caminhar juntos para encontrar soluções que fortaleçam nossa rede de saúde e deem respostas à comunidade – acrescentou.

Na mesma linha, o prefeito Valdir argumentou sobre o limite da sobrecarga dos municípios e que agora é imperativo reduzir a participação das cidades e aumentar a do Estado na conta da Saúde.

– A atenção básica que é responsabilidade das prefeituras é oferecida com excelência, mas saiu disso os pacientes ficam à deriva – desabafou, salientando que, embora haja expectativa quanto ao SUS Gaúcho, os problemas da região precisam de soluções mais imediatas, uma vez que o novo programa do Estado tem previsão de implantação em médio e curto prazo.

– Precisamos de equilíbrio na rede e da atuação mais efetiva do Estado naquilo que é sua competência. Mas o mais importante é que estamos mobilizados, unidos e propositivos – completou Valdir.

 

DESABAFO

Questões como demora em retornos de atendimento referentes a assuntos protocolados junto ao Estado, problemas com regulação e com o SAMU, judicialização da saúde, ajustes de quantitativo, baixa remuneração dos profissionais técnicos, revisão do custo operacional das instituições e a falta de remuneração para os atendimentos realizados acima do teto contratualizado também estiveram na pauta.

 

ENCAMINHAMENTOS

Como encaminhamento, foi solicitado aos secretários e gestores hospitalares o preenchimento de um questionário técnico que vai permitir mapear a real situação da Região 7, incluindo dados sobre leitos de retaguarda, casos não regulados e capacidade instalada.

Com base nas informações coletadas, uma nova reunião será convocada em breve, e a Amvag deverá oficiar o Estado cobrando medidas concretas.

– A preocupação com a demanda reprimida – que ultrapassa 40 mil atendimentos entre consultas e exames – está no radar, mas o encontro de quinta-feira teve como grande diferencial o fortalecimento do trabalho conjunto entre hospitais e municípios, reafirmando a disposição da Região 7 unir forças e objetivos na tentativa de evitar com que o caos fique ainda maior e que a conta continue caindo no colo das prefeituras – avalia Gaspar.

 

ENTENDA MELHOR

Em junho, diante da crescente pressão sobre os serviços de saúde, os prefeitos da Amvag solicitaram uma audiência com a secretária estadual da Saúde, Arita Bergmann, realizada em 13 de agosto, na Universidade Feevale.

Na ocasião, Arita orientou os gestores a promoverem uma reunião com a coordenação da Região 7 de Saúde, para discutir repactuações e novos referenciamentos. O encontro ainda não aconteceu. Segundo a coordenação da R7, em 10 de setembro o novo estudo técnico sobre possíveis pactuações e referências regionais aguardava parecer técnico do Departamento de Gestão e Atenção Especializada (DGAE).


› Compartilhe

  • assinatura digital

FOTOS DO DIA

Calor e sensação de abafamento marcam a semana (Foto: Octacílio Freitas Dias)

O Jornal Dois Irmãos foi fundado em 1983. Sua missão é interligar as pessoas da cidade, levando-lhes informações verdadeiras sobre todos os setores da sociedade local, regional, estadual e nacional.

SAIBA MAIS

SIGA-NOS!

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Jornal Dois Irmãos © 2026, Todos os direitos reservados Agência Vela