Fonte: Assessoria de imprensa / Foto: Silvia Trovo
Enquanto aguarda o retorno do Governo do Estado sobre a situação dos atendimentos de alta complexidade, a Associação dos Municípios do Vale Germânico (Amvag) decidiu não esperar mais e assumir o protagonismo na luta por soluções regionais.
Na quinta-feira (9), a entidade promoveu na Universidade Feevale, em Novo Hamburgo, a primeira de uma série de reuniões que devem acontecer daqui em diante para discutir medidas conjuntas e fortalecer a região na busca de soluções frente aos desafios enfrentados pelos hospitais e prefeituras da Região 7 de Saúde no que diz respeito aos atendimentos de alta complexidade, de responsabilidade do Governo do Estado.
O encontro marcou um gesto de união e cooperação regional sem precedentes, reunindo prefeitos, secretários de saúde e gestores hospitalares de praticamente todos os municípios da R7. Devido a compromissos em Brasília, o presidente da Amvag, Gaspar Behne, prefeito de Lindolfo Collor, não pode presidir o encontro, que foi presidido pelos prefeitos Jerri Meneghetti (Dois Irmãos) e Valdir Ludwig (Ivoti), e que teve como foco o fortalecimento do diálogo e da articulação local diante do impasse com o Estado quanto à oferta dos serviços.
– Os hospitais referenciados e que recebem recursos do Estado para prestar serviços para nossa região, por uma série de motivos não estão dando conta de atender a demanda. Precisamos de soluções. Quem sabe o caminho seja investir nos hospitais daqui da região para que eles assumam o atendimento dentro de suas potencialidades. É o que pretendemos buscar – pondera o presidente Gaspar, que chegou a conversar com a secretária Arita Bergmann sobre esse tema por ocasião da visita dela à região em agosto.
Canoas, Porto Alegre, Parobé, Taquara e Igrejinha são algumas das cidades que atendem pacientes da região em especialidades como traumatologia, neurologia, oncologia, otorrino e oftalmologia.
REGIÃO UNIDA
Com exceção do Hospital Centenário, de São Leopoldo, todos os demais hospitais da Região 7 estiveram representados no encontro: Fundação de Saúde de Novo Hamburgo, Hospital Lauro Reus (Campo Bom), Hospital São José (Dois Irmãos), Hospital São José (Ivoti), Hospital de Sapiranga, Hospital de Estância Velha e Hospital de Portão.
Também participaram os secretários municipais de Saúde, com exceção de Morro Reuter, Nova Hartz e São Leopoldo. A presença do Hospital de Portão, mesmo fora da Amvag, reforçou o espírito coletivo, já que o município não integra a Amvag, mas integra oficialmente a Região 7 de Saúde e passará a participar das próximas reuniões.
RELATOS
Na mesa de discussões pela saúde, cada hospital relatou parte de seu drama e todos concordaram que a falta de atendimento nas referências de algumas especialidades em Canoas e Porto Alegre, por exemplo, acaba superlotando os leitos da região. Também ponderaram sobre o financiamento do SUS, que não suporta o custo da estrutura dos hospitais uma vez que a tabela de valores está defasada.
– Para não penalizar a comunidade, as prefeituras acabam pagando pelos serviços e comprometendo cada vez mais o orçamento. Temos prefeituras da região que estão investindo em saúde mais do que o dobro do exigido por lei. Os municípios não têm mais condições de pagar essa conta e quem sofre é a comunidade com essa fila de espera – alertou o prefeito Jerri.
– O que vimos hoje foi uma demonstração de maturidade e união. Precisamos caminhar juntos para encontrar soluções que fortaleçam nossa rede de saúde e deem respostas à comunidade – acrescentou.
Na mesma linha, o prefeito Valdir argumentou sobre o limite da sobrecarga dos municípios e que agora é imperativo reduzir a participação das cidades e aumentar a do Estado na conta da Saúde.
– A atenção básica que é responsabilidade das prefeituras é oferecida com excelência, mas saiu disso os pacientes ficam à deriva – desabafou, salientando que, embora haja expectativa quanto ao SUS Gaúcho, os problemas da região precisam de soluções mais imediatas, uma vez que o novo programa do Estado tem previsão de implantação em médio e curto prazo.
– Precisamos de equilíbrio na rede e da atuação mais efetiva do Estado naquilo que é sua competência. Mas o mais importante é que estamos mobilizados, unidos e propositivos – completou Valdir.
DESABAFO
Questões como demora em retornos de atendimento referentes a assuntos protocolados junto ao Estado, problemas com regulação e com o SAMU, judicialização da saúde, ajustes de quantitativo, baixa remuneração dos profissionais técnicos, revisão do custo operacional das instituições e a falta de remuneração para os atendimentos realizados acima do teto contratualizado também estiveram na pauta.
ENCAMINHAMENTOS
Como encaminhamento, foi solicitado aos secretários e gestores hospitalares o preenchimento de um questionário técnico que vai permitir mapear a real situação da Região 7, incluindo dados sobre leitos de retaguarda, casos não regulados e capacidade instalada.
Com base nas informações coletadas, uma nova reunião será convocada em breve, e a Amvag deverá oficiar o Estado cobrando medidas concretas.
– A preocupação com a demanda reprimida – que ultrapassa 40 mil atendimentos entre consultas e exames – está no radar, mas o encontro de quinta-feira teve como grande diferencial o fortalecimento do trabalho conjunto entre hospitais e municípios, reafirmando a disposição da Região 7 unir forças e objetivos na tentativa de evitar com que o caos fique ainda maior e que a conta continue caindo no colo das prefeituras – avalia Gaspar.
ENTENDA MELHOR
Em junho, diante da crescente pressão sobre os serviços de saúde, os prefeitos da Amvag solicitaram uma audiência com a secretária estadual da Saúde, Arita Bergmann, realizada em 13 de agosto, na Universidade Feevale.
Na ocasião, Arita orientou os gestores a promoverem uma reunião com a coordenação da Região 7 de Saúde, para discutir repactuações e novos referenciamentos. O encontro ainda não aconteceu. Segundo a coordenação da R7, em 10 de setembro o novo estudo técnico sobre possíveis pactuações e referências regionais aguardava parecer técnico do Departamento de Gestão e Atenção Especializada (DGAE).