Adelar Heck está internado em Novo Hamburgo
Na manhã desta segunda-feira, 17, Simone Bender procurou o Jornal Dois Irmãos para contar um fato que ocorreu com seu pai e com um amigo.
O fato é o seguinte:
Na quarta-feira, 12, o senhor Adelar Heck, de 72 anos de idade, se sentiu mal, perdeu a força nas pernas e caiu em seu apartamento, que fica no quarto andar do prédio onde é o Correio, no Centro de Dois Irmãos.
Ele estava com a esposa, dona Teresinha, e ela, assustada e sabendo que ele já tem problemas cardíacos, imediatamente ligou para a filha Simone Bender.
A filha por sorte estava bem próxima e chegou em menos de 3 minutos ao apartamento. Vendo o pai no chão e desesperado, ela ligou para a SAMU, pelo número 192. A Central atendeu e fez as perguntas de praxe. A filha estava explicando e a ligação caiu. Ela ligou novamente e, também novamente, respondeu ao questionário que a SAMU normalmente faz através dos seus paramédicos.
A filha foi respondendo e explicando que o pai tem 72 anos, que é cardíaco por mais de 30 anos, que toma tais e tais medicamentos, que já fez procedimentos, que estava caído no chão, que não conseguia mexer a perna etc.
Passaram, então, a ligação para o médico, que fez mais observações e pediu para que a filha pedisse para ele falar, para ele sorrir etc., e ao final o médico disse: “Não é emergência e caso para a SAMU”. E falou para a filha que deveriam levar ele para o Pronto Atendimento da cidade em Dois Irmãos.
A filha, apavorada, pediu para o esposo que havia chegado ali ir até o Corpo de Bombeiros, que igualmente tem socorristas e que fica a menos de 50 metros do prédio onde estava ocorrendo o fato.
O marido foi. Mas, chegando lá, lhe informaram que estavam “sem efetivo naquele momento”, e que, portanto, não poderiam atender o caso.
Se conversando por telefone, a filha Simone e o esposo decidiram que ele iria até a Emergência do Hospital São José, que fica na mesma rua, mais ou menos 300 metros do apartamento de Adelar Heck.
Ele foi. E, chegando lá, diz Simone, disseram a ele que “não tinham motorista”.
Diante de mais essa negativa, o marido dela saiu da Emergência do Hospital e, vendo a ambulância da SAMU estacionada logo ali ao lado, foi pedir socorro a eles. Pediu se poderiam buscar o paciente no apartamento, que fica bem pertinho, e trazer ali para o Hospital São José.
A resposta foi “não”, porque os funcionários só podem acionar a ambulância da SAMU sob comando da Central, que fica em Porto Alegre.
O desespero tomou conta geral, pois, em quatro tentativas, nada de alguém se predispor a ir socorrer o paciente.
Até aqui o caso já estava com 40 minutos e nada de socorro. A filha Simone ligou então para a Unimed, que tem sede em Novo Hamburgo, e explicando o caso e todas as negativas recebidas em Dois Irmãos, solicitou uma ambulância para socorrer seu pai.
A ambulância da Unimed levou o tempo que uma ambulância leva para vir de Novo Hamburgo até Dois Irmãos. Mas finalmente chegou. Fizeram, no local, os primeiros procedimentos e a seguir colocaram João Adelar Heck numa cadeira de rodas, porque a maca não cabia no elevador do prédio, e o desceram até a ambulância.
Adelar foi para o hospital em Novo Hamburgo, onde foi imediatamente internado na UTI e passou por diversos procedimentos. Ainda hoje continua na UTI.
A título de alerta para a população, a filha procurou o Jornal Dois Irmãos para mostrar o caso e para pedir que as autoridades da cidade fiquem acauteladas em relação a esse tipo de ocorrência. “Afinal, todos pagamos impostos e, se existe um serviço de emergência na Saúde, é justo em momentos como esse que o serviço precisa funcionar”, diz Simone.
Além do caso pessoal dela, Simone disse, ainda, que resolveu dar publicidade a esse fato e alertar as autoridades por também um outro fato, ainda mais trágico, ocorrido em Dois Irmãos nos últimos dias.
Segundo Simone, um pai de família enfartou aqui na cidade. “Vendo o pai daquele jeito, um filho dele ligou para a SAMU, mas acharam que era trote e desligaram”, contou Simone.
“A família ligou novamente”, disse ela, “e respondeu ao questionário. Porém, quando a SAMU chegou, a ambulância que foi atender não tinha o equipamento necessário, e tiveram de chamar apoio dos Bombeiros. Mas quando este chegou já era tarde, e o paciente já estava morto”, diz ela.
“Isso precisa ser dito, para que se tenha mais cuidado com a vida dos cidadãos em Dois Irmãos”.