Fabiano, Moisés e Felipe
Na década de 80 e 90, a música pesada se transformava. Bandas como Black Sabbath e Coven já haviam conquistado o devido respeito e aclamação do público, e influenciavam fortemente a formação de um novo gênero com iminente crescimento: o black metal.
Caracterizado por expressões extremas e pesadas, vocais estridentes e guitarras com palhetada tremolo, o black metal tornou-se aclamado mundialmente e influenciou a criação de muitas bandas atuais. Dentre elas, está a Requiem’s Sathana.
Idealizado em 2018, gravado em 2019 e lançado em 2020, o primeiro e único disco do Requiem’s Sathana é uma criação solo do músico e professor de História Moisés Henrique Kunst. O projeto surgiu como uma possibilidade de materializar suas próprias ideias livremente. “Trabalhar sozinho te dá mais liberdade”, afirma.
Apesar do processo criativo e composição exclusivamente solo, a execução do Extended Play (EP) – em português, faixa estendida – contou com Fabiano Werle (vocal), Felipe Nienow (multi-instrumentista) e o próprio Moisés (baixista).
O sentimento black metal
Quebrando padrões, o EP explora a complexidade lírica e sonora do gênero musical black metal. Segundo Moisés, as músicas canalizam sensações intensas, traduzidas em acordes, ritmos e melodias. “Temas como medos, ódios e ansiedades estão nas letras. Eu buscava falar sobre o lado obscuro da mente”, explica.
Na época em que compôs, Moisés estudava metafísica, ocultismo e misticismo. “Não só uma exteriorização de sentimentos, mas uma sensação que ultrapassa os sentidos. É mais do que sentimos e vemos, é música”, reforça.
Durante a entrevista, o baixista também revelou que já tem mais cinco músicas prontas para um próximo disco, mas o projeto está pausado por motivos pessoais e pela agenda de Felipe, envolvido em outras bandas.
Trajetória musical
Desde 1994, aos 16 anos, Moisés está imerso no universo musical. No final dos anos 90, passou a se identificar com o black metal melódico, que combinava com sua preferência por harmonias elaboradas. Antes disso, admirava bandas como Helloween, e hoje se inspira em projetos como Midnight Odyssey.
Para ele, a música foi fundamental na formação de seu caráter e disciplina. “Trabalha habilidades cognitivas, memória, percepção e estética, independente do estilo”, destaca.
Segundo Moisés, a chave para fazer música é a paixão. “Basta ter paixão, um pouco de vocação e muita disciplina”. Uma filosofia simples que, em suas mãos, se transforma em composições complexas, reflexo de sua jornada artística e pessoal.