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No dia 7 de agosto, o youtuber e influenciador digital Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, publicou um vídeo intitulado “Adultização”. A denúncia contra adultização de crianças já ultrapassou a marca de 48 milhões de no YouTube, virando notícia nos principais meios de comunicação de país e levando a discussão para o Congresso Nacional, inclusive com a votação de projeto de Lei.
Para a psicóloga Carla Simões, os impactos da adultização precoce podem ser irreversíveis. “A visão sobre si pode ser distorcida, as crianças podem desenvolver psicopatologias como ansiedade e depressão, e prejuízos nas habilidades sociais e na autoimagem também podem surgir”, explica. Carla também destaca os fatores sociais mais críticos para uma aceleração na infância: “Eu elencaria as dinâmicas familiares e os excessos de exposição digital como fatores sociais que mais contribuem para a adultização precoce. A falta de uma relação saudável com os filhos coloca em risco a integridade dos mesmos”.
A profissional reforça a importância do brincar livre no combate à adultização. “O estímulo a brincadeira é muito importante, pois promove a criatividade e desenvolve a resolução de conflitos e a capacidade do viver saudável. Criança precisa brincar, não ser um mini adulto”, comenta ela.
Neste aspecto, Carla também ressalta o papel fundamental do ambiente escolar. “Uma equipe diretiva atenta à comunidade escolar e às famílias, que promova momentos de diálogo e mantenha um olhar cuidadoso às relações na escola e para os comportamentos adultizados, previnem a violação dos direitos das crianças”, diz a psicóloga, acrescentando que a criança precisa saber que pode buscar ajuda. “Esse sujeito em formação precisa encontrar, seja em casa, na escola ou com outros profissionais, um espaço seguro em que possa solicitar ajuda sempre que necessário”.
Acolhimento e valores
A professora Márcia Maria Zimmermann Johann comenta sobre sua motivação de levar o vídeo para a sala de aula. “Em função dessa exposição que está acontecendo, decidi levar o vídeo porque é necessário ter maior cuidado com o que divulgamos na mídia. É necessário que atentemos para tudo o que acontece ao nosso entorno, para que possamos ajudar os outros”, observa ela.
Para Márcia, é importante que os adolescentes vejam o vídeo para entenderem o tamanho do mundo externo. “O mundo é muito maior que um like de alguém ou verificar o número de visualizações que tal vídeo alcança. É necessário que nosso adolescente se forme no ensino médio e se torne alguém proativo e protagonista da sua vida, sem ser manipulado”, ressalta.
Como professora, mas também como cidadã, ela acredita no papel fundamental dos profissionais de educação em trabalhar com assuntos pertinentes ao cotidiano de crianças e adolescentes. “Nós temos uma outra geração conosco. Precisamos trabalhar acolhimento, trabalhar valores, para que se ressignifique certas situações que acontecem ao nosso entorno e que verificamos que eles não estão compreendendo adequadamente”, conclui Márcia.