Alan Caldas (Editor)
Ontem escrevi sobre o doutor Assis Chateaubriand, jornalista dono do grupo de jornais Diários Associados.
No final da tarde, me liga lá de Brasília o jornalista Edgar Lisboa, do blog Repórter Brasília, e me diz, rindo:
– Bah, meu, você esqueceu de contar a história do Chateaubriand lá onde eu e tu trabalhávamos, o Correio do Povo e a Folha da Tarde.
Botei a mão na testa e disse:
– Xiii, como é que me esqueci disso, tchê?
“Coisas do alemãozinho Alzheimer”, diz o Lisboa, brincando.
Vou contar agora:
O doutor Assis Chateaubriand viajava pelo país num avião que ele tinha. Não era um avião muito grande. Pousava em qualquer campo de aviação. E um dia o Chateaubriand foi a Porto Alegre.
Desceu no aeroporto e, sem aviso, se mandou em direção ao Centro da cidade para visitar o doutor Breno Caldas, dono do jornal Correio do Povo, Folha de Tarde e Rádio Guaíba.
O doutor Breno era um homem cioso dos deveres. Era fino. Educado. Muito parecido com o Assis Chateaubriand. E sempre que alguém queria falar com o doutor Breno, tinha de “marcar hora”.
O Assis Chateaubriand, porém, não marcava hora com ninguém. Por isso, entrou no prédio do Correio do Povo, na Rua Caldas Júnior, e sem dizer A nem B subiu ao terceiro andar onde ficava a sala do Breno e nem dando bola para a secretária entrou na sala.
O Breno vendo aquilo levou um susto, e disse:
– Doutor Assis, o senhor aqui, sem aviso?
E o Assis Chateaubriand diz:
– Sim. E vim aqui COMPRAR o Correio do Povo.
O doutor Breno olha para ele e sorrindo responde:
– Mas não precisa COMPRAR. Vou lhe dar o jornal.
E, se levantando, vai até ao lado de fora da sala dele, pega uma edição do Correio do Povo, volta à sala e entregando ao Chateaubriand diz:
– Está aqui. É a edição de hoje. E, para o amigo, é DE GRAÇA!
Dali em diante foram horas de gargalhadas de atrapalhar a redação e depois, é claro, janta, cavalgadas e vinho na fazenda do Breno, em Guaíba.