Por Alan Caldas (Colega Advogado)
No próximo dia 23 deste novembro de 2025, um grupo de advogados realizará em São Leopoldo seu encontro de 40 ANOS DE FORMATURA.
Eu integro esse honorável grupo de advogados. E, quando a Léa Presser e a Marta Kirch me disseram essa data, “40 anos”, minha mente foi voando em memórias para o Centro 4 da Unisinos, lá naquele distante 1985. E disse a mim mesmo:
– Minha nossa! 40 anos de formatura...
Por instantes, fiquei recordando “como éramos” nos anos de 1980.
Naquele 1985 da formatura e nos 5 anos que o antecederam, éramos uma gurizada. Meninos e meninas. Todos querendo loucamente um canudo de advogado, chancelado pelo Magnífico Reitor, com toga e tudo, e que nos colocasse como bacharéis no mundo jurídico.
Não sei como é a Universidade hoje. Mudou o tempo. Mudamos nós. Porém, aqueles anos 80 era um fervilhar de ideias. Debates acirrados. Compreensões de um mundo que se descortinava na nossa frente. Há colegas inesquecíveis, que não chegaram ao final. Há professores que ainda hoje o simples citar de seus nomes nos faz abrir um largo sorriso.
Era uma época de dúvidas e de certezas. Mais de certezas, porque jovens sempre estão certos. Acima de tudo era uma época de esperança. E todos nós só víamos e ansiávamos pelo futuro.
E nosso mundo era acelerado.
Não tem como esquecer as aulas, cada professor com seu talento, suas exigências e manias. Uns estudavam com mais facilidade. Outros mais no sufoco. As idas e vindas diárias de ônibus eram a rotina da maioria de nós. E as caronas, campeadas aqui e ali (para não gastar no “Centralão”, é claro), igualmente eram nosso dia a dia. E sempre com grande interação, boas amizades, força, respeito e muito da integração que hoje meio que sumiu dos bancos universitários.
O mundo das ideias estourava em nossa imaginação como pipoca ao calor do fogo. Os muitos encontros e debates acalorados que o nosso Centro Acadêmico propunha eram brilhantes e, muitas vezes, até chocantes, mas sempre engrandecedores. Não havia inimizade. Nem rancor. Os anos 80 se caracterizaram pela vida vivida de forma pacífica, mesmo entre os que tinham ideias e ideais diferentes. E isso era nosso cotidiano: ideias buscando ideais.
As amizades, algumas passageiras outras eternas, estavam lá, ajojadas conosco. Os namoros, porque a “paquera” teve sempre terreno propício entre tanta gente jovem e bonita, era também uma prática nossa.
As ideias e os ideais floresciam na cabeça daquela turminha de jovens que, beirando os 20 anos, iam passando a compreender a si, entendendo ao mundo e tentando encontrar seu lugar de encaixe numa vida profissional que se vislumbrava logo ali.
As noites de “terror” nas leituras, regada a muito café para compreender o Direito em todos os seus aspectos e, meu Deeeus!, manter aquela famosa média 7 que a tantos de nós atormentava era uma prática corriqueira.
Até porque, muitos de nós estudavam com o Crédito Educativo proporcionado pela Caixa Federal e, se reprovado na matéria, teria de pagar por si a faculdade e não no empréstimo, e era aí que o bicho pegava! Por isso, na nota ninguém vacilava.
Os lanches, adoráveis lanches daquela cafeteria do Centro 4, com aquele café com leite acompanhado de um “prensado” que, sinceramente, por mais que tenha me boleado pelos mais diversos cantões deste mundo, JAMAIS encontrei um tão saboroso quanto aquele. Eiiita que era bom!
E o restaurante da Unisinos? Ahhh ... meeeu Deus! Um preço tão encaixadinho em nosso bolso e uma boia tão bem elaborada que em muitos de nós dava vontade de entrar duas ou três vezes na fila. Era de lamber os beiços! Um colega nosso até pediu em casamento uma cozinheira, de tanto que se apaixonou pela comida dela. . .
E as leituras? No coração de todos nós permanece inabalada a imagem da biblioteca da Unisinos. Ali era nossa capela intelectual. Os padres oravam na capelinha da Unisinos, mas nós dormíamos nos braços de Deus naquela imensidão de livros.
A biblioteca da Unisinos era nossa honra e orgulho. Todos lembram disso. Não era vertical, como hoje, mas horizontal. E lembro de ficarmos passeando pelos livros, olhando, fruindo, respirando aquele muito de cultura e história humana e social que morava ali, impresso em milhões e milhões de páginas que despertavam a imaginação e impregnavam a nós todos com imensa esperança, porque cultura foi e sempre será esperança.
E que mais, além de esperança, éramos nós, os jovens daquele 1985? Éramos pura esperança! Nenhuma dor do mundo nos atacava!
Então, depois de 5 anos veio a formatura. As fotos. As reuniões. Os debates sobre o orador, a escolha do paraninfo. E a noite da entrega do diploma como símbolo de que para aquela turminha toda uma Era se encerrava. E outra, a da profissão, imediatamente ali se iniciava.
Cada um pegando seu rumo. Buscando seu lugar ao sol. Uns, no exercício da advocacia. Outros, repletos da cultura que aquela leva de grandes professores e estudos nos proporcionara. Mas todos indistintamente buscando carreiras e jornadas no mundo já agora adulto.
Não recordo “quando” voltamos a saber uns dos outros coletivamente, após a formatura. Confesso que não lembro. Na faculdade vivíamos entreverados e nos encontrar era uma constante. Mas, após a formatura, cada um para seu lado e a vida seguindo solitária. Uns ou outros, apenas, os bem mais próximos, se comunicavam.
Até que a colega Léa Presser Potrick, que foi sempre um elo condutor, junto a alguns poucos colegas, começaram a organizar encontros. Foi ela, suponho, e digo suponho porque realmente não sei, que iniciou a fazer como que a “chamada” para que os da turma respondessem, como nas noites da Unisinos: “Preseeente!”.
A comissão eterna de organizadores dos encontros da turma Formandos 1985, me disseram, além da Léa é composta pelos colegas Gilberto Koenig, Jorge Maciel, Marta Kirch, Nilton Lemos e Zilá Gil. E estes 40 anos vão de fato coroar o esforço desse grupo que tanto se empenha em chamar os colegas para que não esqueçam que um dia, lá no início dos anos 80, por 5 lindos e felizes anos todos nós convivemos diária e alegremente uns com os outros.
Essa turma já foi por muitos lugares. Até a Manaus eles foram. E todos os anos, aqui e ali, se encontram e relembram aqueles inesquecíveis anos onde cada um a seu modo foi construindo o que somos hoje.
Gostaria de parabenizar cada colega que esteve naqueles anos. Sinto imensa saudade. Dias atrás fui com meu filho mais jovem ao Centro 4 e, de tantas lembranças, me bateu uma tristeza do demônio, que tive de disfarçar para que meu menino não visse que as lembranças, mesmo as boas, trazem também consigo essas coisas de “remembranças” e tristezas por se saber que jamais voltaremos a ser o que éramos.
Quero, por fim, lembrar que no próximo dia 23, seja na Missa que se celebrará no Santuário do Padre Reus em São Leopoldo, às 11 horas, conduzida pelo Magnífico Reitor da nossa UNISINOS, padre Sérgio Eduardo Mariucci, seja no Restaurante Fazenda São Borja, na Avenida São Borja, 2140, onde ocorrerá o almoço, o que todos celebraremos de fato mesmo é a vida. A vida que nos seus mistérios e encantos, nos uniu uns aos outros por 5 anos em busca de conhecimento na juventude e que, agora, em nossa vida já tão alongada, segue nos unindo em busca de boas, lindas e eternas amizades.
A cada um dos meus colegas de 40 anos de formatura, deixo aqui meu mais carinhoso, sincero lindamente tristonho abraço e “muito obrigado” por me terem permitido ver e saber de vocês naqueles 5 anos que, não sei vocês, mas para mim foram os mais intelectualmente produtivos desta existência.

Essa é a eterna Comissão que ano a ano tenta reunir a turma e que, por isso, merece os mais efusivos “parabéns”: Homero Severo, Nilton Lemos, Lea Presser Potrick, Susan Mary Angenti Rocha e Jorge Maciel