Por Mário Selbach – Jornalista
As redes sociais mudaram a forma de nos relacionarmos e, sobretudo, a Comunicação.
A política é uma das áreas mais impactadas, uma vez que o debate público deixou de acontecer nas praças e passou a acontecer nas telas.
Mas há um detalhe: as telas têm dono.
Seu nome: o algoritmo. É ele quem decide o que você vê, o que te indigna, o que te emociona e, muitas vezes, o que você acredita.
Isso porque as redes sociais foram criadas para manter a atenção do usuário o maior tempo possível.
E o que mais prende a atenção humana?
A emoção, principalmente as negativas – raiva, medo, indignação e ressentimento.
Por isso, os sistemas de recomendação (como os do X, TikTok, Instagram e YouTube) aprendem rapidamente que te mostrar o que te irrita é uma forma eficiente de te manter rolando a tela.
Assim, o algoritmo não quer te informar, mas prender sua atenção. E quanto mais ele te prende, mais ele te divide. Desta forma, cria-se o ciclo da polarização.
1. Você reage fortemente a um post político.
2. O algoritmo entende que você se interessa por aquele tipo de conteúdo.
3. Ele te mostra mais do mesmo, com teor mais intenso.
4. Aos poucos, você passa a ver apenas um lado da história.
5. A diferença de opinião se transforma em certeza absoluta.
Resultado: duas pessoas podem morar na mesma cidade, mas vivem em realidades políticas diferentes — criadas por algoritmos distintos.
Por que isso acontece?
As plataformas medem sucesso por engajamento - curtidas, comentários, compartilhamentos. Mas o conteúdo que mais engaja é o que gera conflito. O que é dito com calma raramente viraliza; o que é dito com raiva explode.
E assim, o próprio sistema recompensa o extremismo e pune o diálogo. É por isso que os discursos mais radicais - sejam eles de Direita ou Esquerda -, crescem mais rápido. Eles são simples, diretos e emocionalmente contagiosos.
O resultado é a criação das chamadas câmaras de eco - bolhas digitais onde as pessoas só escutam quem pensa igual. Nessas bolhas, o outro lado não é adversário: é inimigo. No fim, a política deixa de ser conversa sobre o País para virar uma guerra sobre quem tem razão. Perdemos todos. Ganha o algoritmo.