Por Alan Caldas (Editor)
Antigamente havia muitas Sociedades. Cada cidade tinha as suas. E nesses locais é que as famílias levam filhos e filhas, apresentando-se aos demais da comunidade. Ali ocorriam namoros. Ali os casamentos. Ali o convívio social.
Dois Irmãos é um grande exemplo, no passado, com a Santa Cecília e a Atiradores. Mas os tempos mudaram e as sociedades foram como que desaparecendo. Sobraram algumas poucas. Heroicamente mantidas por cada dia menos sócios.
Quando cheguei para trabalhar e estudar em Novo Hamburgo, em 1976, além de alugar uma casa do meu saudoso amigo e depois prefeito Atalíbio Foscarini, a primeira coisa que fiz foi me associar na Sociedade Ginástica.
Ali tinha piscinas, quadras de tênis, pistas de corrida e, é claro, salão de baile. Não se vivia sem baile, naquela época, pois neles é que as pessoas se socializavam, conhecendo uns aos outros, fazendo amizades, interagindo, se tornando um com o todo daquele grupo social.
Não recordo exatamente quando a Sociedade Ginástica de Novo Hamburgo realizou seu primeiro baile de Carnaval Vermelho & Branco.
Foi a 40 anos atrás? Não lembro. Talvez lá por 1985 ou perto disso. Mas lembro que era um baile de carnaval magnífico. Repleto de fantasias, onde a maioria se vestia com cores vermelho e branco.
Era o tempo em que se “pulava” carnaval. Onde as pessoas dançavam de mãos dadas, sempre circundando a pista, fazendo trenzinhos e jogando confete e serpentina. Ali se cantava. Ali se sorria. Ali se era feliz. Aliás, creio que sempre se era feliz, naquele tempo.
Não sei quem veio primeiro, mas o baile de Carnaval Vermelho & Branco, da Ginástica, logo fez ficar também famoso o Baile de Carnaval Preto & Branco, da Sociedade Atiradores, quando o clube Atiradores ainda era naquele prédio lindo e hoje abandonado na subida da Marcílio Dias.
Os dois como que disputavam maior número de pessoas e mais alegria na festa de Momo, chegando, dizem, o Vermelho & Branco a ter quase 5 mil pessoas no salão, conta que me parece demais.
Todos da nossa turma iam para o Carnaval Vermelho & Branco. Era fino. Elegante. Compassado. E, na noite seguinte, nem sempre na mesma semana, íamos para o igualmente finíssimo Carnaval Preto & Branco, da Atiradores.
Esta semana, porém, li que a Ginástica cancelou o Carnaval Vermelho & Branco. Fará o carnaval infantil. Mas o baile da noite, que era disputadíssimo, não sairá este ano. A empresa que faz o carnaval para a Ginástica (eu nem sabia que isso existia) resolveu sair e, em vista disso, o Vermelho & Branco foi cancelado.
Dizem que volta no ano que vem.
Sinceramente? Duvido! Sou cético.
Essas coisas de sociedade, como a história comprova, quando recuam, somem. A distensão é a morte. Espero que não. Torço para que não.
Sou fã da Ginástica. Fui seu sócio número 3052.
Adoro aquele ambiente. E, mesmo depois que saí de Novo Hamburgo, por anos e anos segui pagando a mensalidade do clube mesmo sem ir lá. Pagando porque acreditava e ainda acredito que aquele espaço social da Ginástica, assim como era o da Aliança e é o da Atiradores, é parte essencial da alma hamburguense.
O Vermelho & Branco é a resistência. É a esperança de uma geração que via salões e sociedades lotadas e que, hoje, tristemente as vê apagando as luzes das reuniões sociais que criaram tantos e tantos projetos que desenvolveram nossas cidades.
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Na foto do Rafael Torres Atz, um momento do Carnaval Vermelho & Branco, onde aparece a minha amiga Zita, grande socialite hamburguense, cercada pelas beldades que lotavam nosso clube para esse evento. Esse é um tempo que realmente deixou saudades.