Por Alan Caldas (Editor)
Passei na secretaria da Igreja Matriz de Dois Irmãos, para dar um abraço no meu amigo e Vigário Paroquial Jeferson Furtado, e com alegria fiquei sabendo que neste sábado, dia 24, ele estará completando 44 anos de vida.
Antes do assunto dele, cabe um aparte:
Cada padre que passa nos deixa na memória boas lembranças. Estou aqui desde 1983 e poderia citar vários. Cada um com seu talento. Cada qual com sua pastoral. Uns mais administrativos. Outros mais teológicos. Alguns a pura expressão do amor de Deus.
Tenho e creio que todos tenhamos, ótimas recordações de muitos religiosos que andaram por aqui. Uns mais sérios. Outros mais brincalhões. O padre Paulo Bervian, por exemplo, você dizia: “sua benção, padre Paulo”. E ele respondia, sorrindo: “sê bento”. Expressão imbatível na graciosidade cristã.
Todos, porém, sempre radicalmente cristãos e dedicados aos serviços paroquiais. Por isso a Comunidade Católica de Dois irmãos é tão profícua, honrada, participativa e importante no contexto geral e financeiro da nossa Diocese.
Diocese, aliás, que vi surgir quando o meu grande e inesquecível amigo e infelizmente já falecido, Dom Sinésio Bohn, assumiu como primeiro pastor da Diocese de Novo Hamburgo.
Era uma época complexa. Governo militar. Dom Sinésio era progressista. Altos e baixos sempre, dizia dom Sinésio nas nossas jantas. Foi o período em que surgiam os movimentos pentecostais, alguns suaves e lindos, outros extremamente radicais. E foi dom Sinésio, quando já estava em Santa Cruz, quem sugeriu à CNBB o retorno do movimento dos “caristmáticos”, esse mesmo que agora está em grande crescimento na Igreja. Mas essa é outra história.
Retornando à visita ao padre Jeferson.
Estou aqui para, por amizade e respeito, divulgar o aniversário dele neste sábado, 24. E, para começar, lembro que sem sombra de dúvidas ele é um dos religiosos que fará história entre nós na categoria dos mais queridos que a Comunidade Católica de Dois Irmãos teve e tem.
O lustro apologético dele sempre me impressionou. Falar com ele é passar a crer na fé. E olhando o currículo dele, logo se vê que não poderia ser diferente. Até porque, aqui ele se sente em casa. É que ainda no Seminário, quando os colegas perguntavam ao jovem Jeferson em “qual paróquia” ele gostaria de atuar, quando fosse padre, a resposta era sempre a mesma: “Em Dois Irmãos”.
Pois é. E aqui está ele. Cuidado com o que deseja.
Ele completará 44 anos de idade e 16 como padre. Nasceu em Gramado, em 1982. Em 2002 foi estudar no Seminário Betânia, em Novo Hamburgo, aprendendo desde cedo o que seria sua futura vida religiosa.
A seguir, entre 2003 e 2004, o jovem Jeferson mudou-se para São Paulo, e ali passou a gastar as horas do seu dia estudando a fundo filosofia.
De São Paulo saiu direto para Roma, na Itália, e naquele clima que só o Vaticano inspira nos cristãos, o Jeferson iniciou o estudo aprofundado de teologia.
No meio do curso, porém, teve problemas visuais e precisou retornar ao Brasil, onde obrigou-se a fazer cirurgia para transplante de córnea. Ficou um ano e meio em tratamento, antes de retornar a Roma, e daquela cirurgia, que deu certo, ele, porém, ainda se ressente do efeito colateral causado pelo uso contínuo de corticoide. Isso acelerou nele um processo de catarata ocular. Operou um dos olhos e ficou bom. Mas terá de operar o outro, também.
Nesse período, entre os anos 2006 e 2007, Jeferson viveu em São Leopoldo, como seminarista estagiário, até que nos anos 2008 e 2009, retornou à bela Roma, onde concluiu seu curso de teologia.
Feito isso, Jeferson retornou ao Brasil e foi ordenado em 2 de agosto de 2009, em Novo Hamburgo, recebendo a ordenação pelas mãos e autoridade eclesiástica do infelizmente já falecido bispo Dom Zeno.
Nesse mesmo ano, 2009, assumiu como Diácono na Paróquia Nossa Senhora da Piedade, no bairro de Hamburgo Velho, em Novo Hamburgo. E quatro meses depois, no dia 26 de dezembro de 2009, recebeu então a Ordenação Sacerdotal, na Igreja Matriz da Linha Imperial, em Nova Petrópolis. Celebrou ali a sua primeira missa, em 7 de dezembro 2009. E ao final da missa, nesse mesmo dia, o padre Jeferson começou sua missão na Catedral São Luiz, em Novo Hamburgo, onde ficou como vigário paroquial até o ano seguinte, 2010.
De Novo Hamburgo, o bispo o enviou para Dois Irmãos em 2011 e ele ficou entre nós até 2012. Saiu em 2013 e dali até o ano de 2018 foi pároco na Igreja Nossa Senhora das Graças, no bairro Rondônia, em Novo Hamburgo.
Na troca das cadeiras, que sempre acontece na Igreja, no ano de 2019 Jeferson foi para Sapiranga, para assumir como pároco na Paróquia São João Batista. Ficou lá até o ano de 2024, quando, então, assumiu em Dois Irmãos como vigário paroquial.
Aos 44 anos de idade e 16 como padre, currículo, como se vê, não lhe falta. E amorosidade e humildade cristã, também. A comunidade é a prova disso, pois o padre Jeferson tem sempre uma palavra de carinho e conforto, de esperança e otimismo a todos que lhe procuram para confessar alguma dor que trazem na alma.
É um grande pastor, o padre Jeferson.
Feliz aniversário, meu bom amigo!