Por Alan Caldas – Editor
Algumas deixam boas lembranças.
Outras são como brisa, vêm e passam.
Outras, porém, são como cernes de coronilha: chegam, permanecem para sempre e são as que se pode chamar de “inesquecíveis”.
Meu amigo Sabá, cujo nome era José Paulo Sabá Meyrer, está nessa última classificação, a dos inesquecíveis.
Natural de Gravataí, ele morou por 50 anos em Morro Reuter. Trabalhou como motorista da empresa Maide.
Depois teve fábrica de sapato. E, nos últimos 4 anos, tornou-se dono de uma loja de perfumes importados em Morro Reuter.
Foi casado por 25 anos com minha amiga e empresária do comércio, dona Liana Maria Backes, e por fim, já em segundas núpcias, conviveu com a Jaqueline Scholles.
Sabá morreu a morte súbita que todos gostaríamos de morrer.
Estava fazendo uma caminhada no hoje Complexo Esportivo Municipal Norberto Emílio Rübenich. E ali se deparou com o fim.
Sabá adorava caminhar.
Quando prefeito, ele ia a Brasília solicitar verba para Morro Reuter e, no início e finais de tarde, antes das portas do governo se abrirem e depois de elas se fecharem, Sabá ficava caminhando bem feliz pela Esplanada dos Ministérios.
No dia 31 de julho de 2013, porém, em uma dessas suas adoradas caminhadas, a morte o encontrou. E sem aviso o levou, através de uma parada cardíaca fulminante.
Sabá estava andando e sentiu o baque do enfarto. Teve um espasmo e caiu na pista de corrida. Já sem coração. E já sem vida.
Era jovem o Sabá, 57 anos apenas.
Conheci o Sabá como vereador de Dois Irmãos, representando o distrito de Morro Reuter.
Quando emancipamos o Morro, nas lideranças do Leopoldo e do Pitcha, numa ideia saída do Jornal Dois Irmãos, Sabá não sabia o que ia fazer.
Impulsionado pelo então prefeito de Dois Irmãos, João Arnildo Mallmann, e conosco aqui do jornal colocando pilha, o Sabá se lançou candidato a prefeito, levando como apoio o Wilson Flademir Reinheimer, que era o seu vice na chapa eleitoral.
A campanha foi urdida. Foi forte. Foi disputadíssima contra o nosso igualmente querido e bem-quisto amigo contabilista Guido Wiest.
Sabá era uma força da natureza. Não tinha grandes estudos formais, mas era dotado de grande inteligência e tinha uma liderança natural e incontestável perante os trabalhadores.
Isso o credibilizou ao cargo.
No dia do registro dos nomes no Cartório Eleitoral, que era em Estância Velha, Sabá foi lá e se registrou como José Paulo Meyrer. E, feito isso, voltou desenxabido, totalmente desanimado, e veio ao jornal me dizer que lá tinham dito que ele não poderia registrar o apelido “Sabá” na cédula.
Falei que juridicamente “não era bem assim”.
Liguei para a responsável do Eleitoral, minha até hoje adorada amiga doutora Ana Lúcia Carvalho Pinto Vieira, que agora é desembargadora, e expliquei a situação do Sabá.
“Pede para ele voltar aqui”, a doutora Ana Lúcia disse.
Ele foi. E, ao final da tarde, sorrindo como criança e feliz da vida, o Sabá me ligou dizendo que havia colocado para sair na cédula (na época se contava uma a uma) o nome Sabá.
Estou contando tudo isso porque hoje, revirando as fotos “velhas”, me deparei com essa onde eu e o Sabá, (fotografados pelo nosso Renato Dexheimer) estamos em uma cabine telefônica na cidade de Füssen, na Áustria, na viagem que fizemos para o Hunsrück, Alemanha e arredores em 1994.
Olhando a foto me impressionei com o tempo.
Trinta e um anos se foram.
Olhei. Olhei. E concluí:
– Éramos tão jovens e tão bonitos em 1994 . . .
Tá, hoje somos só bonitos . . .
Mas o que conta é que o Sabá, nosso queridíssimo, fiel e fortíssimo amigo, já não nos acompanha mais nas caminhadas, nas viagens, nos chopes e nos “xisburgueres” que nós, sorrindo e falando alto, aproveitámos naquele momento de nossas vidas que ele tanto adorava.
Sabá foi um amigo fidelíssimo que tive. Ficará eternizado na minha pequena galeria de “inesquecíveis”.
Que Deus te tenha, Sabá. Deixou saudades, caro amigo. Muitas saudades.