Por Alan Caldas (Editor)
Observando a história humana de bem longe até agora, se vê que cada época tem sua “doença típica”. E nem sempre são doenças biológicas.
Vou dar uns exemplos:
Mataram Sócrates com veneno porque ele ensinava os alunos a pensar criticamente, e matar gente por isso era uma “doença típica” daquela época.
Matar mulheres porque gemiam durante o ato sexual e sentiam os fluxos do orgasmo, foi uma “doença típica” da Inquisição. E, segundo o livro Maleus Maleficarum, mais de 150 mil mulheres foram torturadas e assassinadas por isso.
Torturar e matar Giordano Bruno porque afirmava, com razão, que a Terra girava ao redor do Sol e não o Sol ao redor da terra, era uma “doença típica” daquela época.
Caçar seres humanos e os escravizar, como fizeram com os eslavos e, depois, em maior número e até pouco tempo, com os africanos, era uma “doença típica” daquela época.
Prender e decapitar ou simplesmente matar pessoas porque não concordavam com os ideais da revolução francesa ou da revolução russa ou da revolução americana ou da revolução chinesa ou da revolução (?) brasileira, era uma “doença típica” daquela época.
Prender, torturar e assassinar pessoas porque pensam desta ou daquela forma, tem sido uma “doença típica” de muitas épocas.
Feminicídios e homicídios em geral têm sido, ao longo dos milênios, “doença típica” dos (maus) relacionamentos e pensamentos.
Nada disso é “doença típica biológica”. Elas vêm do “pensamento”.
Na raça humana, cada época tem enfermidades que “fundamentam” a época em que se está vivendo.
Recentemente tivemos uma patologia mundial. Uma pandemia. Lembra? Era advinda da biologia. Mas, graças a imunologia, criando vacinas, as doenças bacteriológicas e virais são rapidamente curadas.
E este nosso tempo? Tem “doença típica”.
Temos, sim. E não é biológica. É neuronal.
Doenças neuronais, como a depressão, como o déficit de atenção, como transtorno de personalidade limítrofe, como síndrome de Burnout etc. etc. etc. ... são o que mais se assemelham à “doença típica” desta nossa época. Atualmente, os enfartos matam muito mais por excesso de “positividade” do que de negatividade. E, ao que parece, a doença do narcisismo deixará sua marca registrada entre nós como “doença típica” desta nossa Era.